terça-feira, 19 de junho de 2018

Neurodiversidade: Identidade e respeito


Ontem foi o Dia do Orgulho Autista e, pensando na questão identitária que sustenta a palavra "orgulho", convido-os a uma reflexão sobre o tema "neurodiversidade", a partir de algumas leituras.


A diversidade é um tema muito importante que, felizmente, tem sido lembrado e cada vez mais estudado. É indispensável que se conheçam todas as suas facetas, já que não existe um único tipo de diversidade - dentro dela própria, também existe uma grande variedade: cultural, étnica, linguística, sexual, de gênero, psiquiátrica, neurológica etc.

O artigo "O sujeito cerebral e o movimento da neurodiversidade", escrito por Francisco Ortega (Professor adjunto do Instituto de Medicina Social da UERJ) aborda alguns aspectos da neurodiversidade e do movimento sociocultural que a representa, privilegiando o TEA (Transtorno do Espectro Autista). 


Embora o texto se concentre no autismo (que costuma ser o primeiro tema lembrado, ou melhor, a maior bandeira levantada dentro deste viés da diversidade), é importante dizer que ela não abrange apenas o Transtorno do Espectro Autista, mas também o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, a Dislexia, a Discalculia, a Síndrome de Tourette, as Altas Habilidades/Superdotação e outras condições. Na verdade, o conceito de neurodiversidade se aplica a várias características neurológicas (ou ao desenvolvimento neurológico atípico) e os reconhece como qualquer variação humana, defendendo o respeito e a integração.

Algo muito interessante e importante que o artigo de Ortega aborda é a questão identitária e a tentativa de patologização do autismo - uma discussão que também se aplica a outras características e condições, como a surdez (indico, sobre este tema, o livro "Vendo Vozes", de Oliver Sacks), a homossexualidade e outros tantos casos.

Inclusive, em meu blog pessoal, há um breve artigo em que abordo um dos episódios do programa "TerraDois" (TV Cultura) e o associo aos conceitos de identidade vertical e horizontal: 
"O que queremos ver? - Identidade vertical, horizontal e escolhas em 'TERRADOIS'"

Recomendo vivamente que vocês leiam também o excelente livro "Longe da Árvore", de Andrew Solomon. Ele fez um estudo bastante profundo sobre este assunto, contemplando várias condições e deficiências (mas, antes de tudo, identidades): autismo, síndrome de Down, paralisia cerebral, surdez, nanismo, superdotação, transexualidade, filhos concebidos por estupro, criminalidade etc. Vale a pena usá-lo como fonte de informações e estudos!

Sobre o autismo, especificamente, indico também páginas e perfis de mães que disponibilizam conteúdo rico e compartilham suas experiências:

Asperger não é Aspargo, por Rosana Leh Dias. Instagram: @rosana_leh. Blog: http://ce.dias.blog.uol.com.br/

Colorindo o Nosso Mundo Azul, por Denise Anasawa. Instagram: @colorindomundoazul. Blog: http://colorindomundoazul.wixsite.com/mundoazul

Lagarta Vira Pupa, por Andréa Werner. Instagram: @lagartavirapupa. Blog: https://lagartavirapupa.com.br/



Carmem Toledo
Responsável pelo projeto Super Specialis


Super Specialis



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